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Educação Infantil é coisa séria -

 

   

“Educar uma criança pequena é muito mais difícil do que dar aulas na universidade”, afirmou o Professor Vital Didonet, durante o Primeiro Seminário de Interiorização do Fórum Baiano de Educação Infantil (FBEI), realizado no dia 7 de março, no Ministério Público da Bahia. Vital, que também é Mestre em Educação, disse que para o professor de Educação Infantil entender uma criança, não deve descer ao nível da criança, ao contrário, ele precisa subir ao nível dela para compreendê-la. “Quando a professora chega na sala de aula mal humorada, as crianças logo percebem e perguntam o que ela tem, porque isso as incomoda. As crianças sentem tudo”, afirma Vital.

O Primeiro Seminário de Interiorização realizado pelo FBEI teve por objetivo ampliar a inserção do Fórum no interior do estado. A palestra do professor Vital foi um dos momentos da programação do Seminário, que contou com a participação recorde de mais de 500 professores e professoras de Educação Infantil, de quinze municípios do interior e da capital.

MAIS RECONHECIMENTO

   

Durante o Seminário, os palestrantes denunciaram a falta de valorização para com os professores das séries iniciais e, conseqüentemente, com a Educação Infantil. Conforme a diretora do Sindicato dos Professores da rede particular de ensino no Estado da Bahia (SINPRO), Cristina Kavalkievicz, existe uma diferenciação de salários entre os professores que dão aulas para o nível médio e fundamental e os de Educação Infantil. “O que existe é uma pirâmide invertida. Os professores da Educação Infantil deveriam ser mais valorizados, porque trabalham com crianças”, explica Cristina.

Para a vereadora Olívia Santana, que compareceu ao Seminário, a Educação Infantil tem de sair do campo do improviso para a formalidade. “Estamos falando de um momento muito importante, em que a criança sai da sua família para receber educação e ser socializada”, disse a vereadora. “Educar criança é diferente de educar adulto, por isso a escola é um espaço estratégico” ressalta.

Mas na prática, as coisas não são bem assim. No município de Candeias, por exemplo, dos 208 professores que atuam na Educação Infantil, apenas 16 têm nível superior, e conforme a promotora da Infância e Juventude, Dra. Márcia Guedes, que participou do evento, a maioria das Escolas Comunitários que trabalham com Educação Infantil em Salvador não têm autorização, e os órgãos responsáveis não sabem quantas existem no total.

FASE IMPORTANTE

Os três primeiros anos de vida de uma criança são muito importantes. Conforme o professor Vital, embora nunca se tenha dado muita atenção para a Educação Infantil no nosso país, ela é a verdadeira educação fundamental e básica, que vai do nascimento até o final do ensino médio. “O que ocorre nos primeiros anos de vida de uma criança vai influenciar o desenvolvimento cognitivo dessa pessoa pelo resto da sua vida”, afirma o professor, que lamenta o pouco prestígio dado à criança pela sociedade brasileira.

Para Vital, tudo o que fazemos com uma criança é educação. Dar banho, trocar as roupas, dar comida, a forma como nos comportamos diante dela, tudo será absorvido pela criança. Os três primeiros anos são um momento importante porque é quando são colocados os trilhos por onde o trem do desenvolvimento vai passar. Esses trilhos precisam ser ajustados com muita atenção. “Aprender novas línguas, estudar geografia, matemática, química, são coisas que vão sendo colocadas nos vagões do trem que passa nos trilhos, ao longo da vida”, compara Vital.

INTERIORIZAÇÃO DO FÓRUM

   

Conforme apontou a coordenadora do FBEI, Marlene dos Santos é importante que o Fórum tenha representantes nos municípios para poder participar dos processos de estabelecimento das políticas públicas voltadas para a Educação Infantil no interior. “Precisamos participar das discussões”, afirmou. Segundo Marlene, os professores precisam saber quanto as prefeituras dos municípios disponibilizam para a Educação Infantil e como esse dinheiro está sendo usado. “Para que o Fórum seja realmente baiano e não apenas de Salvador, é preciso que os professores de Educação Infantil do interior criem Fóruns locais” ressaltou.

Depois do Primeiro Seminário, que aconteceu na sexta-feira, dia 7 de março, representantes do Fórum viajaram no dia seguinte, sábado, para o município de Baixa Grande, no interior do estado, para realizaram o Segundo Seminário de Interiorização. Como resultado desse segundo encontro, foi criada uma comissão provisória para planejar e organizar a criação de um Fórum de Educação Infantil naquele município.

FUNDEB

 
Professor Vital Didonet e
Dra. Márcia Guedes
   

O Seminário também discutiu alguns pontos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), que foi regulamentado pela Lei Nº 11.494/2007, de 20 de junho de 2007. Em vigor desde o dia 1º de janeiro deste ano, por Medida Provisória, o novo Fundo substitui o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF.

Conforme o MEC, o FUNDEB terá vigência até 2.020 e atenderá, a partir do 3º ano, 47 milhões de alunos da educação básica, contemplando creche, educação infantil, ensino fundamental e médio, educação especial e educação de jovens e adultos. Para que isso ocorra, o aporte do governo federal ao Fundo aumentará para R$ 2 bilhões em 2007, R$ 3 bilhões em 2008, R$ 4,5 bilhões em 2009 e 10% do montante resultante da contribuição dos Estados e Municípios a partir de 2010.

Para o professor Vital, que também é Consultor Legislativo na Câmara dos Deputados, o FUNDEB foi uma conquista política, porque a Educação Infantil não era objeto de discussão entre os legisladores. Foi também uma conquista pedagógica, porque “a personalidade humana está estruturada nos primeiros anos de vida da criança”, afirma. Foi também uma conquista financeira, pois a formação básica é de responsabilidade do Estado. “A educação básica de qualidade não pode ser uma prioridade apenas dos pais que podem pagar por isso” afirma Vital. No Brasil, Educação Infantil não é obrigatória para a criança, mas é uma obrigação do estado oferecê-la.

Para a Coordenadora do FBEI, Marlene dos Santos, o Primeiro Seminário teve um resultado muito positivo. “Mais de 500 participantes, quinze municípios. Estamos muito felizes”, comemora Marlene. No final do evento, ficou a mensagem para todos de que a luta pela Educação Infantil não é uma luta apenas dos professores. Trata-se da convicção de que as crianças são brasileirinhos que precisam de educação de qualidade. Para tanto, é preciso convencer ao estado de que educar crianças é algo muito sério, é fundamental e é político.

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