DATA-BASE 2026 | NOTA PÚBLICA E OFICIAL DO SINPRO-BA

Datada do dia 14 de julho de 2026, o SINEPE-BA publicou hoje, 15 de julho, em seu site e redes sociais, uma NOTA OFICIAL estarrecedora, porque recheada de mentiras e acusatória às posições do nosso sindicato e da categoria que representamos, Professoras e Professores das escolas particulares da Bahia. Diante disto, cabe apresentar ponto a ponto as inverdades patronais.



SOBRE BOLSA DE ESTUDOS PARA FILHOS DE PROFESSORES, é espantoso que o SINEPE-BA trate como avanço o que é apenas a manutenção de um direito que o SINPRO-BA e os professores já haviam conquistado há mais de 30 anos, com avanços garantidos desde 2024. Pior, agora em 2026, o SINEPE-BA propôs reduzir este direito, o que motivou imensa mobilização dos professores. Foi esta mobilização que obrigou o patronal a retirar a proposta de redução de direitos da mesa de negociação. O que o SINEPE-BA trata como um avanço garantido pelo patronal é apenas a manutenção de um direito que já existia e que os donos de escola e seu sindicato queriam reduzir. Primeira imensa mentira!

SOBRE AS FÉRIAS UNIFICADAS PARA 2027 E 2028, mais uma mentira.
Primeiro, porque o direito já estava na Convenção Coletiva de Trabalho, cabendo a sua renovação e o ajuste da data para estes dois anos. Segundo, a proposta do SINEPE-BA reduz o tempo de unificação das férias e é contrária à proposta do SINPRO-BA. Ou seja, além de não atender ao que propusemos como melhor para os professores, piora o que já existia, sendo mais um retrocesso. Outra mentira patronal.

SOBRE O RECESSO DE MEIO DE ANO PARA 2027 E 2028, é preciso lembrar que os 19 dias foram uma conquista do SINPRO-BA no ano de 2024, que valeu para 2025 e 2026. Enquanto nós pedíamos 21 dias, o patronal propôs reduzir o recesso para até 12 dias. Isto também mobilizou fortemente a nossa categoria, o que fez com que o patronal recuasse da redução, aceitando manter os 19 dias atuais. Ou seja, o recesso apenas ficou como já estava, não sendo avanço ou novidade. Pelo contrário, foi uma luta manter o que já tínhamos, quando o esperado era avançar. Mas o patronal queria reduzir este direito, só desistindo depois das paralisações, da possibilidade de greve e da mobilização da nossa categoria. É mais uma mentira do sindicato que representa dos donos de escola.

SOBRE O REAJUSTE DO SALÁRIO DE QUEM GANHA O PISO E ACIMA DO PISO, aqui reside um dos maiores absurdos ditos pelo patronal. Ao oferecer apenas a reposição da inflação (4,11%), o patronal diz um sonoro não à valorização dos professores, não havendo ganho real. Quando indica que para o piso – hoje de míseros e vexatórios R$ 12,00 (valor hora-aula) – aplicará o mesmo índice, o patronal faz questão de não dizer na nota que isto representará um acréscimo de humilhantes 49 centavos no valor-hora de milhares de professores que recebem o piso. Pior, quebra um compromisso de anos, que era o de garantir reajuste do piso superior ao reajuste geral, para gradativamente qualificá-lo. O SINPRO-BA propôs, inicialmente, R$ 16 para o piso, mas, considerada a dificuldade, e demonstrando boa vontade, fez nova proposta de R$ 13,50 já para este ano de 2026. A proposta patronal é de R$ 12,49. É mentira que há avanço ou esforço neste tema. O que há é a busca pela humilhação de professoras e professores que recebem o piso e que já estão com seus salários imensamente desvalorizados.

SOBRE DATAS PARA PAGAMENTO DE SALÁRIOS, o SINEPE-BA mente ao dizer que há avanço. Primeiro, porque ao falar em pagamento no 5º dia útil, nada traz de avanço, pois é o que define o Parágrafo Primeiro, do Art. 459, da CLT. Ou seja, é Lei, não é avanço patronal.
Segundo, porque nas Convenções Coletivas anteriores, muitas datas de pagamento eram anteriores ao 5º dia útil, condição melhor que a apresentada pelo patronal agora. Ou seja, além de não ser avanço, é mais um retrocesso. Então é mais uma mentira do patronal.

SOBRE O PAGAMENTO PELO EXCESSO DE TRABALHO NÃO REMUNERADO DE PROFESSORAS E PROFESSORES, o SINEPE-BA sequer indicou isto em sua nota, afinal, embora o tema esteja em debate há mais de 20 anos, tendo se intensificado na última década, o patronal trata como novidade, alega desconhecer, propondo uma comissão para estudar o caso, e se nega a aceitar pagar algo. O tema é nacional, uma verdadeira epidemia que tem adoecido e maltratado professores, fazendo, inclusive, com que muitos desistam da profissão. O SINPRO-BA propôs, para que seja melhorado com o tempo, o pagamento de 4 horas-aulas por mês e somente a partir de fevereiro de 2027. Ainda assim, o patronal diz não. O que querem é apenas a ultra-explorarão do nosso trabalho, sem pagar, sem se comprometer, sem qualquer contrapartida mínima. A omissão na nota é a revelação da omissão em relação ao nosso trabalho, à nossa saúde, à nossa existência. Faz sentido a omissão patronal. E é lamentável.

A nota do SINEPE-BA lamenta a posição do SINPRO-BA e dos professores diante do que eles chamam de avanços, que aqui demonstramos não serem avanços. O patronal diz que optamos por “estimular paralisações, medida que não contribui para o processo de negociação e acaba prejudicando professores, escolas e, principalmente, as crianças e jovens, com o comprometimento do calendário escolar”.

Interessante ver quem só pensa no lucro e só age de forma exploratória usar as crianças e jovens como escudos para suas barbaridades, atribuindo a nós, os verdadeiros educadores dentro do sistema, uma pecha irresponsável ou desumanizada. Tenham decência e respeito para falar do SINPRO-BA e dos professores, porque o tanto de mentiras desmascaradas aqui mostra que lhes falta moral para tanto. Além disto, quem não contribui para o processo negocial é o patronal, pois apenas diz e repete o NÃO! a cada proposta apresentada pelo SINPRO-BA e pelos professores.

O SINEPE-BA encerra a sua nota dizendo esperar do SINPRO-BA uma postura “ética, respeitosa e comprometida com a negociação”. É, a um só tempo, irônico e trágico ler isto de quem, na nota aqui analisada, mentiu em cada palavra, falseou cada fato, induziu a uma interpretação errada da realidade em cada questão levantada e, pior, parece querer colocar a sociedade contra este Sindicato dos Professores e contra a própria categoria que representamos.

Nossas honrosas Professoras e honrosos Professores fazem muito mais do que aquilo para o que são pagos, convivem com a desvalorização, a ausência de cuidado, e mesmo o assédio e a violência moral de um patronal que se acha acima de tudo, se sentido autorizado, inclusive, para mentir publicamente como nas diversas notas – além desta – que publicou ao longo do processo negocial.

O SINPRO-BA negocia com o SINEPE-BA há décadas. Neste tempo todo, tivemos muitos momentos de tensão, brigas políticas acirradas, greves que passaram de 20 dias, mas nunca lidamos com inverdades ditas pelo sindicato patronal, sobretudo da forma reiterada com que tem acontecido neste atípico ano de 2026. Estamos de lados opostos da mesa, mas nunca houve deslealdade. Talvez seja um sinal dos tempos. Se, por um lado, nossa diretoria é basicamente a mesma a negociar nos últimos 15 anos, a diretoria patronal mudou, a estrutura do patronal mudou, a lógica exploratória do capital mudou e mudou para pior, e a desvalorização da educação e da figura do professor tornou-se tão comum nestes tempos. Veja-se a mudança na presidência do patronal, a entrada de conglomerados de educação de atuação nacional e sistemas de ensino na Bahia, e veja-se a contratação pelo patronal, neste ano de 2026, de um especialista em retirada de direitos para negociar na Educação Básica, cujo objetivo é óbvio.

Caberá às Professoras e Professores avaliar o que está posto e definir se farão ou não greve. Mas uma coisa é absolutamente certa: esta greve, caso haja, e todo este movimento é da inteira e mais absoluta responsabilidade dos donos de escolas e do sindicato que os representa. Porque nós estamos apenas lutando pelo minimamente justo, nada além disto.

Salvador-Ba, 15 de julho de 2026.

DIRETORIA SINPRO-BA

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